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Meu passa tempo…

Correndo contra tempo – uma comédia

Uva Passas

 

                Dia de treino, cheguei em casa cansado do trabalho. Cansado? Sim! Meu corpo e alma estavam no limite. Sentei em minha cama e lá estava ela, bem perto dos meus pés, a balança! Como sempre faço, fiquei de “cuecão de couro”, liguei a balança, coloquei o primeiro pé e o segundo logo após e…pronto! Não tive coragem para olhar os números, fiquei pensando se engordei. Discretamente e muito rápido, passei o olho rapidamente no visor. Meu Deus! O visor marcava 1,6 kg a mais do meu peso normal. O que foi que me aconteceu? Desesperado, olhei meu pulso, e…que alívio, meu relógio ainda estava lá. 

            Rapidamente tirei o relógio e joguei-o na cama. Firmemente, olhei de novo ao visor, e lá marcava: 1,53 kg. Que chato, não se fazem relógios pesados como antigamente, essas bagatelas chinesas, até no peso eles economizam. Logo me lembrei, claro, por que não!? Lembrei-me de que não tinha ido ao banheiro ainda. Loucamente fui ao banheiro. Pronto, sentei no vaso, ou melhor, no patente, como dizem os gaúchos. Não podia demorar, pois era dia de treino. Olhei para o teto e nada, contei cotonetes no potinho em cima do lavatório e… nada.  Óh céus, logo hoje estava com prisão de ventre. Forças já não tinham mais, pois cheguei muito cansado. Após longos minutos desisti e saí do banheiro. Fiquei pensando em ingeri uvas passas, dizem que é bom! Fui à cozinha e pronto, abri o pacote e me esbaldei. Claro que não iria fazer efeito rápido, sendo assim me preparei para correr. Coloquei meu tênis, meu monitor cardíaco, meu relógio de corrida, camiseta e pronto! Vamos a ela, ou melhor, a ele, o treino. Peguei o carro e fui ao local em que treino, no bairro mesmo. Iniciei os alongamentos como sempre faço e de repente aquele barulho estranho, mais parecia um ronco ‘brun…brun”, borbulhas internamente explodiam. Nossa, se fosse balão meu nome agora era zepelim! Iria longe assim? Comecei a correr e de olho no meu relógio. Já estava na terceira volta e os barulhos e incômodos iam piorando, flatulências, durante o percurso, eram necessários para meu alívio abdominal. Olhando o tempo, ainda faltavam uns 12 minutos para terminar o treino, quando de repente o intestino grosso queria comer o fino. Me Deus! Brigas internas me faziam pensar em um monstro querendo sair de mim “Alien – A Ressurreição”, ou seriam aquelas uvas passas? Barulhos, evoluções abdominais, cólicas, e nem sei o que mais. Olhei no meu relógio e pronto, meus batimentos cardíacos estavam em 240. Morri! Pensei que os vermes já me comiam. Olhava a procura do carro e nada de vê-lo, bem longe ainda, tive que mudar os passos, pois os barulhos aumentavam também. Não sabia se procurava a chave em meus bolsos ou se me preocupava em cruzar as pernas. Mudando de estilo, foi de maratona à corrida atlética. Você sabe qual é o estilo de corrida atlética? Exatamente, você não tira o pé do chão e fica pressionando as duas nádegas, uma na outra, fazendo uma pressão para não acontecer qualquer surpresa. Pronto, achei a chave! Entrei no carro, dei rapidamente a partida e fui a uma nova corrida, a de fórmula Uno! A sessenta por hora, em ruas estreitas, minha buzina já ficava conhecida e rouca de tanto usá-la. Parando em frente ao portão, estava lá, a porcaria de taxista esperando o passageiro que não descia do carro. Meu Deus!!! As uvas passas já rebeldes em meu intestino, gritavam para sair “não me dê uma brecha que eu pulo pra fora!”… Foram segundos que pareciam minutos eternos. Finalmente entrei no prédio e parei na minha vaga. Não! Pensava eu, o sujeito de quem me escondi a semana toda, pois sou síndico, estava parado na porta da recepção e o ele fala demais, pensei “ tô perdido”…. Minhas uvas passas não entenderiam a conversa ou talvez quisessem participar de uma maneira não muito normal. Passei como uma bala dizendo: boa noite, depois eu te procuro. Próxima etapa, a porta do meu apartamento, chaves na mão e pronto, entrei correndo e fui direto a patente. Segundos depois, reparei que não tinha desligado o alarme, e nem pude. Com o alarme ligado a grande sinfonia continuou e minuto depois, suado e sem uvas passas, sentei-me na cama. Novamente lá estava ela, a balança! Removi todos os acessórios, tirei a camisa e pronto, fomos à balança novamente. Primeiro um pé e depois o outro. Coragem, dessa vez, não me faltou para olhar o visor. Não acreditava no que via, fechei os olhos, abri e novamente olhei! Era verdade, os números tinham mudado, já não eram os 1,6 kg de excesso mais e sim 900 gramas abaixo do meu peso normal. Alegre e cheio de assaduras, pude dormir tranquilamente…

13/07/2009 - Posted by | Correr

5 Comentários »

  1. Amigo, há tempos não ria tanto lendo um texto!
    Imagino teu sofrimento, mas ri muito disso tudo!
    A única pergunta que tenho é: que raio de uvas passas foram essas? pra não ter perigo de eu comê-las!

    Comentário por Claudio Barbosa (@barbosa_claudio) | 12/01/2011 | Responder

    • Dessas que vem nas caixas de Cestas de Natal… Agora já era… kkk abs!

      Comentário por bloguto | 12/01/2011 | Responder

  2. HAHAHAHAHAHA
    Quando imaginei a cena do alarme, disparei (sem trocadilhos) a rir d+!!!!!
    Brother! Desculpe a franqueza. Mesmo considerando a perda de liguido no treino, mas tu cagou muito!!!! kkkkkkk

    Comentário por maxdangelo | 15/07/2009 | Responder

    • Foi a penas um conto…Mas a situação seria dolorosa!

      Comentário por bloguto | 15/07/2009 | Responder

  3. Ola!
    Tive um ataque de tanto rir,quase tive que ir pra “patente” tbm…
    vc é D+++
    Cada dia me surpreendo mais com esse seu jeito peculiar de escrever.

    Comentário por Amandinha | 13/07/2009 | Responder


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